Projeto apoiado pela Fapitec/SE destaca avanços da pesquisa no semiárido sergipano durante workshop

O evento reuniu a comunidade acadêmica para discutir inovações em prol do desenvolvimento da atividade agrícola da região

O auditório do Núcleo de Competências em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Nupeg), localizado nas dependências da Universidade Federal de Sergipe (UFS), foi palco do III Workshop do projeto de pesquisa intitulado ‘Condicionamento e fertilização do solo do semiárido sergipano empregando biocarvão e derivados, visando o uso racional de água e o desenvolvimento da agricultura – SemiáridoFORTE’.

O projeto aprovado no edital nº 04/2021 do Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação (PDPG) de apoio ao desenvolvimento da região semiárida brasileira é fruto de acordo de cooperação técnica Nº 1078/2021 firmado entre a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), visando a cooperação entre as partes por meio da formação de recursos qualificados em áreas prioritárias.

O evento que contou com uma série de apresentações, teve como objetivo a avaliação e acompanhamento das atividades realizadas pelos bolsistas envolvidos no projeto. “Os workshops têm sido fundamentais para alinhar as atividades, abrir novas oportunidades, além de servir como uma forma da coordenação gerir uma equipe grande e multidisciplinar. É uma maneira de compartilhar com a comunidade os principais resultados, para que os bolsistas apoiados pelo projeto tenham experiências e vivências de dividir seu conhecimento com outros pesquisadores”, explicou o professor e coordenador do projeto SemiáridoFORTE, Alberto Wisniewski Junior.

Na oportunidade, o pesquisador e bolsista do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema), Robério Satyro, apresentou o andamento de sua pesquisa sobre a ‘Gestão Sustentável dos Resíduos da Agroindústria no Semiárido Sergipano, sob o Aspecto da Economia Circular’ e destacou a importância de abordagens inovadoras para lidar com os resíduos agrícolas, visando não apenas a redução do impacto ambiental, mas também a criação de oportunidades econômicas sustentáveis.

“A partir do meu estudo, buscamos fazer um levantamento inicial, para que no futuro uma agricultura sustentável seja introduzida no semiárido sergipano. Como é uma região que tem um estresse hídrico muito grande, esperamos, por meio dessa agricultura sustentável, fazer com que a agricultura da região se fortaleça no aproveitamento do que já é gerado lá. O objetivo é produzir biocombustíveis de segunda geração, como: biocarvão, bióleo e o gás de pirólise. Com a aplicação do biocarvão no solo, os agricultores conseguiram um aumento de produtividade”, detalhou o pesquisador.

Durante o evento, a pesquisadora Pricília Gomes, também compartilhou o andamento de sua pesquisa intitulada ‘Desenvolvimento de fertilizantes inteligentes à base da Manipueira’. “A região do semiárido é marcada pela intensa produção de mandioca. Essa grande produção resulta em um resíduo poluente ambiental, a manipueira, proveniente da fabricação de farinha de mandioca ou de sua fécula. A ideia é tornar esse resíduo reaproveitável, agregando valor a ele para gerar desenvolvimento econômico e social, a partir da produção de biofertilizantes a base da manipueira. Já foi feita a caracterização das estruturas desses fertilizantes, resultando em 19 diferentes biofertilizantes. Atualmente estamos na etapa de verificar quais desses têm maior potencial para futuramente realizar a aplicação desses fertilizantes na produção”, dissertou.

Para o coordenador do SemiáridoFORTE a realização do Workshop foi bastante produtiva. “Pudemos ver que todos os objetivos estão sendo desenvolvidos a contento pelos bolsistas do projeto, além de ter permitido integrar outros pesquisadores que não estão diretamente vinculados, mas que desenvolvem pesquisas correlatas que contribuíram e enriqueceram as discussões”, ressaltou.

Sobre o projeto

O SemiáridoFORTE surgiu com o propósito de valorizar e estimular a atividade agrícola no semiárido de Sergipe. A região é um ambiente bastante inóspito, com solo pobre e que sofre com estresse hídrico, pela falta de chuvas, e se apresenta inicialmente como uma área pouco propícia para a agricultura. Diante dessa realidade, o projeto surge com a perspectiva de que esse cenário pode ser mudado a médio e longo prazos, a partir do emprego de tecnologias e pesquisas desenvolvidas na universidade. O ponto central da proposta, baseada nos objetivos do edital nº 04/2021, é o formar recursos humanos qualificados que enxerguem no semiárido o potencial para desenvolver a agricultura, valorizar os produtos e fixar a população nestas regiões, trazendo uma melhor expectativa de vida e abrindo uma perspectiva de futuro para as próximas gerações.

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Última atualização: 27 de novembro de 2023 15:48.

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