Atuação feminina na imprensa sergipana é tema de pesquisa em escolas

Através de bolsas de pesquisa, projeto é financiado pela Fapitec e Seduc

Texto:  Kátia Azevedo

Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022/ Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)

Revelar a participação feminina na imprensa sergipana do século XIX a partir da investigação de jornais sergipanos publicados entre os anos de 1850 e 1900. Este é o objetivo da pesquisa “Mulheres na Imprensa Sergipana no Século XIX”, realizada por estudantes das primeiras séries do ensino médio do Colégio Estadual Professor José Franklin (CEPJF), na Barra dos Coqueiros, e no Centro de Excelência Governador Djenal Tavares de Queiroz (CEGDTQ), em Aracaju.

A pesquisa é contemplada pelo Edital nº 02/2022, realizado através de parceria entre a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE) e a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (Seduc).

A coordenadora do projeto e professora de História, Adinagruber da Conceição Lima, explica que o objetivo da pesquisa é refletir sobre a questão de gênero. “Enquanto professoras pesquisadoras, vimos a necessidade de direcionar a reflexão e pesquisa sobre a participação feminina nos jornais sergipanos para o ensino básico, tornando relevante a discussão contemporânea sobre a participação feminina na sociedade, conectando presente e passado a partir de fonte histórica local”.

Entre os resultados obtidos na pesquisa foram identificadas algumas das primeiras sergipanas que escreveram para a imprensa sergipana no século XIX, entre elas: Ophelia, Diana Mali e Helena Amália e Ignez D’ Horta. “Também através desta pesquisa conseguimos atingir nosso objetivo no sentido de inserir nossos discentes na iniciação científica ao permitir que entrassem em contato com a pesquisa histórica de jornais do século XIX”, acrescenta Adinagruber.

Sergipanas na imprensa

“Ainda avançaremos na pesquisa para encontrarmos informações sobre quem eram essas mulheres. Encontramos na Hemeroteca da Biblioteca Nacional, até o momento, três jornais com participação feminina em suas produções. ‘O Leque’, que se identifica como órgão das moças, foi produzido em Aracaju pela Gazeta de Sergipe – apresenta quatro páginas e duas colunas, contendo oito sessões, todas elas destinadas a destacar a mulher. Não é um periódico escrito somente por mulheres, o que era comum à maioria dos jornais desse período, muitos deles eram dirigidos por homens”, explica a professora.

A coordenadora ressalta que ‘O Leque’ apresentava poesias que colocavam em evidência a representação feminina da época. “Algo que nos chamou a atenção em seu conteúdo foi à reafirmação do papel social imposto à mulher naquela sociedade, com a delimitação de papeis definidos e sua subalternidade. A descoberta dessa fonte nos possibilitou dar visibilidade a mulheres que durante muito tempo foram negligenciadas pela história”, conta Adinagruber.

Através do site da BNDigital, foram identificados outros jornais, como ‘A Ortiga’, também produzido em Aracaju, que aparece com a designação “defensória de literário, crítico e noticioso”. A pesquisa constata que o dono do jornal, Manoel B. da Silva, abriu espaço para mulheres escreverem em seu periódico

“‘A Ortiga’ apresentava cinco sessões diversificadas e a que nos chamou atenção foi a sessão escrita por Ignez D’ Horta, única mulher que escreveu para o jornal. Na ‘Definição do homem’, escrita por Ignez, ela oferece um olhar de ataque ao gênero masculino, possivelmente apresentando uma visão feminista”, avalia a professora e coordenadora do projeto.

Outro veículo foi o periódico ‘A Tulipa’, um jornal impresso na cidade de Estância durante os anos de 1879 a 1880. “Com a designação inicial de ‘Consagrado ao Belo Sexo’, o jornal tinha publicações de poesias que apresentava a mulher como ser frágil e destinada aos cuidados do lar”, completa Adinagruber da Conceição Lima.

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Última atualização: 9 de janeiro de 2024 09:39.

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