Pesquisa apoiada pela Fapitec mapeia seca em SE

Governo na auxiliará formulação de políticas públicas de gestão de recursos hídricos

Com a participação da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE), o estudo intitulado Análise da Severidade das Secas por Regiões Climáticas do Estado de Sergipe mapeia áreas impactadas por períodos de grande estiagem no estado.

O estudo é contemplado pelo EDITAL FAPITEC/SE/SEMAC/SEDETEC Nº 07/2022 através do Programa de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento tecnológico – Bolsas de Desenvolvimento Tecnológico industrial (DTI).

A pesquisa é coordenada pela meteorologista da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (SEMAC) e bolsista DTI da Fapitec/SE, Wanda Tathyana de Castro Silva.

Através da coleta e tratamento de informações climáticas o estudo vai organizar uma base de dados para a formulação de políticas públicas que envolvam a gestão de recursos hídricos, produção de alimentos, renda e subsistência nos municípios sergipanos afetados pela seca.

“A pesquisa visa de alguma forma quantificar e estudar as condições climáticas e os eventos extremos que afetam essa região, identificando o fenômeno climático conhecido como El Niño que interfere na intensificação dos períodos de secas no Nordeste do Brasil. Além disso, são realizadas análises e estudos, como o de vulnerabilidade do Estado Sergipe”, informa.

Ela enfatiza que estudos sobre os eventos de seca são importantes como parâmetros para atendimento das demandas socioambientais provocadas pelo El Niño e outros fenômenos climáticos que exercem impacto direto no aumento da temperatura, redução da  quantidade de chuva e perdas massivas de vidas humanas pela fome, desnutrição, expansão de doenças, deslocamentos forçados, perdas de produção agrícola e da pecuária.

 

Importância socioambiental

 

O trabalho também tem como foco o estudo de vulnerabilidade socioambiental. A proposta é incentivar futuras pesquisas e aperfeiçoamento de metodologias sobre o assunto, além de assessorar as gestões municipais permitindo o gerenciamento e a criação de um banco de dados sobre vulnerabilidade socioeconômica, epidemiológica, climática e a geral, e melhorar a aplicabilidade de formuladores de políticas públicas para prevenir e minimizar os efeitos na sociedade.

Ela lembra que as mudanças climáticas estão entre os principais desafios enfrentados pelos países no século XXI e que o fenômeno pode impactar a composição, a resiliência ou a produtividade de ecossistemas naturais e gerenciados, a operação de sistemas socioeconômicos ou a saúde humana e o bem-estar das populações.

Wanda reforça que um dos setores mais vulneráveis e que potencialmente sofrerá os maiores impactos negativos é a agricultura, sobretudo a de países em desenvolvimento. A pesquisadora ressalta que os  efeitos da perda de produtividade agrícola sobre o bem-estar humano dependerá em grande parte da capacidade de os agentes econômicos se adaptarem e se ajustarem às novas necessidades impostas pelos cenários climáticos futuros.

“Neste contexto, a disponibilidade de informação, novas tecnologias, instituições eficientes, facilidade de acesso a mercados de bens, serviços e oportunidades de financiamento aumentam o sucesso dessa empreitada, mas são justamente nesses pontos que os países em desenvolvimento se encontram mais deficientes. Soma-se a isso o fato de que tais países têm sua economia com expressiva dependência da atividade agrícola e estão localizados em regiões onde as condições climáticas já se aproximam dos limites tolerados pelas plantas e pelos animais”, aponta.

Todas essas questões, de acordo com a pesquisadora, possuem especial importância na região Nordeste do Brasil, para a qual são esperados cenários futuros de mudanças climáticas severas, com grandes aumentos da temperatura e da variabilidade da precipitação.

“As mudanças climáticas esperadas podem ampliar ainda mais a vulnerabilidade na agricultura, historicamente, enfrenta intensas dificuldades ambientais e sociais com ampliação das desigualdades regionais.

Índice de Vulnerabilidade Geral (IVG)

 

Mapa de Vulnerabilidade do Estado de Sergipe (Fonte: Wanda Tathyana)

Neste cenário, o trabalho busca mensurar por meio do Índice de Vulnerabilidade Geral (IVG) a vulnerabilidade no Estado de Sergipe, com base em indicadores socioeconômicos, epidemiológicos e climáticos a ocorrência de eventos extremos de precipitação nos municípios considerando as vulnerabilidades que deixam a sociedade mais exposta aos riscos socioeconômicos, epidemiológicos e climáticos, provocando mudança na relação sociedade-natureza e nos indicadores socioambientais.

Os dados climáticos foram utilizados para calcular o Índice de Precipitação Padronizado  SPI (Standardized Precipitation Index) para cada município das regiões climáticas de Sergipe. A proposta é analisar temporalmente e espacialmente a intensidade e duração dos eventos de seca. Os resultados serão utilizados para orientar os agropecuaristas, a sociedade e o setor público para que haja um bom gerenciamento dos eventos extremos.

“O mapeamento irá auxiliar nas tomadas de decisões públicas para minimizar o impacto climático na economia local e regional, auxiliando não só setor hídrico, como também, na agropecuária. Entender o tempo passado e presente vai ajudar nos projetos diagnósticos e prognósticos no setor hídrico dos municípios das regiões climáticas do Estado de Sergipe”, completa.

Parceria

Wanda relata ainda que a parceria da Semac com a Fapitec/SE tem papel importante para colocar a estrutura da pesquisa em prática.  “Diante disso, a parceria da SEMAC com a FAPITEC está sendo muito importante para que seja garantida a elaboração e a execução do projeto de severidade da seca por regiões climáticas do Estado de Sergipe, como também, o estudo da vulnerabilidade. Uma ação integrada que tem gerado frutos positivos para o Estado”, destaca.

O estudo Análise da Severidade das Secas por Regiões Climáticas do Estado de Sergipe é uma das iniciativas contempladas por editais que estimulam a atração de recursos humanos qualificados e com experiência profissional em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) para a execução técnica e científica de ações de gerenciamento de recursos hídricos para o aprimoramento do Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos que envolvem ações como o apoio à Sala de Situação de Sergipe, central que atende a população em situações de seca, enchentes e outras urgências naturais, bem como, o cumprimento de metas assumidas no Programa de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas (PROGESTÃO).

“A pesquisa é mais um exemplo de ações científicas apoiadas pela Fapitec que contribuem para a oferta de serviços de utilidade pública através da ciência, inovação e tecnologia no nosso cotidiano”, diz Paulo César Alves, coordenador do Programa de Inovação Tecnológica (PROINT).

 

Paulo Alves, coordenador do PROINT/FAPITEC

Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)

 Texto: Katia Azevedo

Jornalista (DRT/SE 719)

Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022

Parceiros

Última atualização: 9 de outubro de 2023 11:38.

Pular para o conteúdo