Projeto desenvolve soft skills na área de saúde

Iniciativa apoiada pela Fapitec/SE e SES contempla tecnologia social para dar suporte aos profissionais da Atenção Primária à Saúde

Texto : Kátia Azevedo

Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022/ Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)

Cada vez mais o uso de tecnologias sociais é incorporado a rotinas de trabalho para melhorar a assistência na área da saúde. Este é o caso do Programa de Soft Skills para Profissionais da Atenção Primária à Saúde.

A iniciativa é um dos projetos contemplados pelo Edital  nº 13/2022 – Programa de Apoio e Desenvolvimento de Políticas Públicas para o Estado de Sergipe  realizado em parceria entre a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE) e Secretarias de Estado, com operacionalização através dos Núcleos de Análises e Pesquisas em Políticas Públicas (NAPs), com recursos do orçamento da Fapitec/SE, oriundos do Fundo Estadual para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funtec), geridos pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico, da Ciência e Tecnologia (Sedetec) e da Secretaria da Saúde (SES).

“O presente projeto pretende desenvolver uma tecnologia social que possa dar suporte aos profissionais da Atenção Primária à Saúde do Estado de Sergipe, com foco nas soft skills por sua dupla função: incremento na qualidade da atuação profissional e cuidado com a saúde mental dos mesmos”, explica a idealizadora e coordenadora da iniciativa, a professora da Universidade Federal de Sergipe, Zenith Nara Costa Delabrida. 

Ela explica que as Soft Skills  incluem habilidades profissionais interpessoais e sociais, de comunicação, e atitudes profissionais e éticas, que no campo da saúde são comparáveis ao conceito de habilidades de vida proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS), focando em habilidades socioafetivas necessárias às interações interpessoais.

“Além disso, permitem atender as demandas do dia a dia que envolvem a tomada de decisões, resolução de problemas, e pensar criticamente e de forma criativa, se comunicar efetivamente, reconhecer as emoções dos outros e construir relacionamentos saudáveis no nível físico e emocional”, lista.

Baseada em referências e estudos sobre o assunto, a pesquisadora destaca que apesar de não constarem formalmente nos processos de qualificação profissional, as Soft Skills são fundamentais para uma melhor atuação e, ao mesmo tempo, viabilizam um cuidado com a saúde mental dando conta da complexidade da atuação profissional notadamente presente na atuação em Atenção Primária à Saúde.

Ainda de acordo com a pesquisadora, o uso deste tipo de tecnologia social permite maior interatividade com  foco na participação do usuário, melhorando o diálogo entre paciente e equipe profissional de saúde, refletindo no atendimento.

Paulo César Alves, coordenador do Programa de Inovação Tecnológica (PROINT/Fapitec/Se), explica a importância da parceria entre a Fundação, a SES e a Universidade Federal de Sergipe com o Programa de Apoio e Desenvolvimento de Políticas Públicas para o Estado de Sergipe. “Ao investir em projetos que apresentam soluções e iniciativas em setores essenciais para a sociedade como segurança pública, mobilidade, educação, saúde e bem estar, economia criativa, turismo, Inteligência Artificial (IA) e Tecnologia da Informação (TI), estamos fortalecendo ações cientificas inovadoras que agregam desenvolvimento econômico em respostas às demandas sociais da população”, destaca.

Projeto apoiado pela Fapitec e SEDUC realiza podcast educativo sobre temas históricos

Texto:  Kátia Azevedo

Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022/ Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)

Proposta é reviver  e analisar temas da cultura, sociedade e política sergipana e brasileira nos anos de 1960 a 1980

O Projeto Sergipe POD+: Revivendo Histórias e Debates Sergipanos!, realizado com apoio da Fapitece Seduc através do Edital02/2022, incentiva a comunidade escolar do Centro de Referência de Educação Profissional Governador Seixas Dória, em Nossa Senhora do Socorro.

A iniciativa é coordenada pelos professores Elaine Santos Andrade e José Jackson Bispo Cruz Junior. O projeto tem a proposta de reviver  e analisar temas da cultura, sociedade e política sergipana e brasileira nos anos de 1960 a 1980, através do Jornal digital Gazeta de Sergipe, e  também promover o letramento histórico e geopolítico sobre esta temática. Todo o material pesquisado é transformado em plataforma de podcast. Além disso, busca estimular a prática da investigação científica, o desenvolvimento do raciocínio crítico, aplicando métodos e procedimentos característicos das Ciências Humanas”, explica Elaine.


Dinâmica de Desenvolvimento

A professora afirma que o projeto avança quinzenalmente, realizando a leitura de matérias e investigações pertinentes aos temas. Ainda de acordo com ela, a partir das leituras, são selecionados temas e convidados para debater esses assuntos no podcast. Geralmente, os convidados são alunos ou professores da instituição buscam garantir uma contribuição valiosa para a formação do pensamento histórico dos estudantes. “O intuito é promover uma consciência histórica que permita a
compreensão da realidade contemporânea e suas ligações com o passado”, acrescenta.


Participe e Acompanhe


“O Sergipe POD+ é uma ótima oportunidade para mergulhar na história e nas discussões
que moldaram a cultura, sociedade e política em Sergipe nas décadas passadas. Sendo
suas temáticas abordadas numa linguagem de modo responsável, claro, interessante e
mais atrativa ao falar a língua do jovem. Acompanhe nossos episódios semanais para se
envolver, aprender e contribuir para uma compreensão mais profunda do nosso contexto
histórico e social”, observa, ao lembrar que a iniciativa é também uma forma de ampliar conhecimentos e explorar a riqueza de debates abordados, com aprendizado e reflexão. A iniciativa conta com alunos bolsistas e voluntários da escola.

Atuação feminina na imprensa sergipana é tema de pesquisa em escolas

Através de bolsas de pesquisa, projeto é financiado pela Fapitec e Seduc

Texto:  Kátia Azevedo

Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022/ Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)

Revelar a participação feminina na imprensa sergipana do século XIX a partir da investigação de jornais sergipanos publicados entre os anos de 1850 e 1900. Este é o objetivo da pesquisa “Mulheres na Imprensa Sergipana no Século XIX”, realizada por estudantes das primeiras séries do ensino médio do Colégio Estadual Professor José Franklin (CEPJF), na Barra dos Coqueiros, e no Centro de Excelência Governador Djenal Tavares de Queiroz (CEGDTQ), em Aracaju.

A pesquisa é contemplada pelo Edital nº 02/2022, realizado através de parceria entre a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE) e a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (Seduc).

A coordenadora do projeto e professora de História, Adinagruber da Conceição Lima, explica que o objetivo da pesquisa é refletir sobre a questão de gênero. “Enquanto professoras pesquisadoras, vimos a necessidade de direcionar a reflexão e pesquisa sobre a participação feminina nos jornais sergipanos para o ensino básico, tornando relevante a discussão contemporânea sobre a participação feminina na sociedade, conectando presente e passado a partir de fonte histórica local”.

Entre os resultados obtidos na pesquisa foram identificadas algumas das primeiras sergipanas que escreveram para a imprensa sergipana no século XIX, entre elas: Ophelia, Diana Mali e Helena Amália e Ignez D’ Horta. “Também através desta pesquisa conseguimos atingir nosso objetivo no sentido de inserir nossos discentes na iniciação científica ao permitir que entrassem em contato com a pesquisa histórica de jornais do século XIX”, acrescenta Adinagruber.

Sergipanas na imprensa

“Ainda avançaremos na pesquisa para encontrarmos informações sobre quem eram essas mulheres. Encontramos na Hemeroteca da Biblioteca Nacional, até o momento, três jornais com participação feminina em suas produções. ‘O Leque’, que se identifica como órgão das moças, foi produzido em Aracaju pela Gazeta de Sergipe – apresenta quatro páginas e duas colunas, contendo oito sessões, todas elas destinadas a destacar a mulher. Não é um periódico escrito somente por mulheres, o que era comum à maioria dos jornais desse período, muitos deles eram dirigidos por homens”, explica a professora.

A coordenadora ressalta que ‘O Leque’ apresentava poesias que colocavam em evidência a representação feminina da época. “Algo que nos chamou a atenção em seu conteúdo foi à reafirmação do papel social imposto à mulher naquela sociedade, com a delimitação de papeis definidos e sua subalternidade. A descoberta dessa fonte nos possibilitou dar visibilidade a mulheres que durante muito tempo foram negligenciadas pela história”, conta Adinagruber.

Através do site da BNDigital, foram identificados outros jornais, como ‘A Ortiga’, também produzido em Aracaju, que aparece com a designação “defensória de literário, crítico e noticioso”. A pesquisa constata que o dono do jornal, Manoel B. da Silva, abriu espaço para mulheres escreverem em seu periódico

“‘A Ortiga’ apresentava cinco sessões diversificadas e a que nos chamou atenção foi a sessão escrita por Ignez D’ Horta, única mulher que escreveu para o jornal. Na ‘Definição do homem’, escrita por Ignez, ela oferece um olhar de ataque ao gênero masculino, possivelmente apresentando uma visão feminista”, avalia a professora e coordenadora do projeto.

Outro veículo foi o periódico ‘A Tulipa’, um jornal impresso na cidade de Estância durante os anos de 1879 a 1880. “Com a designação inicial de ‘Consagrado ao Belo Sexo’, o jornal tinha publicações de poesias que apresentava a mulher como ser frágil e destinada aos cuidados do lar”, completa Adinagruber da Conceição Lima.

Fapitec comemora 18 anos de história

Em quase duas décadas, fundação celebra novos rumos e avanços significativos

Texto:  Kátia Azevedo

Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022/ Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)

Instituída pela Lei nº 5.771 de 13 de dezembro de 2005, a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE), completa esta semana 18 anos de história, promovendo o apoio e o desenvolvimento da pesquisa científica e inovação tecnológica. Para celebrar a data com servidores e parceiros, na manhã da próxima sexta-feira, 15 de dezembro, a fundação realiza uma comemoração especial no auditório da Codise.

O diretor-presidente da Fapitec, Alex Cavalcante Garcez, celebra a data destacando que em quase duas décadas de atuação, a instituição contribui para o desenvolvimento do estado através da gestão da ciência, pesquisa, inovação tecnológica e empreendedorismo. Ele lembra que o foco da fundação é maximizar as potencialidades locais com desenvolvimento social e econômico de Sergipe, fato muito presente este ano.

“Comemoramos novos rumos com avanços significativos da política de profissionalização da gestão administrativa, e continuidade e fortalecimento das ações internas e externas da instituição. Iniciamos a implantação de uma gestão sustentada num planejamento de diretrizes estratégicas, com reformulação das nossas ações, com resultados exitosos, experiências e conhecimentos acumulados, aprendizado e maturidade institucional”, destaca.  “Dentro do nosso planejamento do estatuto lançamos e retomamos neste ano vários editais; iniciamos o processo de interiorização e reestruturação de equipe para melhoria das condições dos trabalhos técnicos que prezem pela proatividade das ações da fundação”, exemplifica.

Sobre o próximo ano, Alex Garcez afirma que a fundação tem a pretensão de lançar mais editais como o do Tecnova 3, com alcance socioeconômico relevante para a oferta de serviços em Sergipe. “Neste processo também queremos avançar e fortalecer as parcerias com organismos do Estado, instituições de pesquisa e o meio acadêmico, lembrando que a Fapitec tem desempenhado um importante papel de  interlocução com a comunidade acadêmica, com fornecedores e na busca para melhorar as parcerias para alavancar ações da ciência, inovação, tecnologia e pesquisa em nosso estado”, acrescenta.

Mudanças administrativas

A Fapitec/SE é uma fundação pública dotada de personalidade jurídica de direito público, com patrimônio, receita e quadro de pessoal próprio, bem como com autonomia administrativa, patrimonial e financeira, integrante da administração estadual indireta, do Poder Executivo do Estado de Sergipe. A instituição é vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec). O secretário da Sedetec, Valmor Barbosa, ressalta a função da entidade e a sua importância para o desenvolvimento socioeconômico de Sergipe.

Secretário da Sedetec Valmor Barbosa (FOTO: IGOR MATIAS)
Secretário da Sedetec Valmor Barbosa
(Foto: Igor Matias)

“Quero parabenizar a Fapitec por completar 18 anos de existência. A Fundação tem um papel relevante para a comunidade científica, estudantes, professores e todos aqueles que trabalham com pesquisa. A ciência e inovação são fundamentais para o progresso da nossa região. Desejo que a Fundação continue a fomentar o avanço do conhecimento e que possamos colher os frutos de tantos esforços com o desenvolvimento do nosso estado”, completa Valmor Barbosa.

Histórico

A criação da Fapitec/SE se deu com a extinção da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Sergipe (Fap-SE), passando a realizar as ações de fomento e modelo de gestão estratégica, voltadas para o desenvolvimento da ciência e tecnologia, especialmente focado na inovação tecnológica.

A partir de 2004, a fundação passou a ser vinculada a então Secretaria de Estado da Indústria, do Comércio e da Ciência e Tecnologia (SEICTEC), hoje Sedetec, através da Lei 5.511, de 28 de Dezembro de 2004.A nova medida autorizava a extinção da Diretoria de Apoio e Desenvolvimento (DIRAD), na época unidade da administração direta do Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe (ITPS), ficando a competência, as atividades e as atribuições da DIRAD, com a sua desativação, a cargo da Fapitec.

Outro ato administrativo importante para o funcionamento da fundação se deu através da Lei nº 5.773 de 12 de dezembro de 2005 que deu nova redação ao Fundo Estadual para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNTEC), estabelecendo no artigo 5º, entre outras providências, que “a gestão do FUNTEC deve ser exercida pelo Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia (CONCIT), órgão colegiado vinculado a então Secretaria de Estado da Indústria, do Comércio, da Ciência e Tecnologia (SEICTEC), regido por legislação própria, que especificamente lhe estabelece a organização, finalidade, composição, competência e normas gerais de funcionamento”.

A instituição também ocupa espaços importantes de articulação no campo científico, sendo uma das 27 Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP).

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Estudantes criam absorventes com fibras da cana-de-açúcar em Umbaúba

Ação de de iniciação cientifica foi motivada por redação sobre pobreza menstrual  

Texto:  Kátia Azevedo

Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022/ Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)

No Colégio Estadual Dr. Antônio Garcia Filho, em Umbaúba, educandas de iniciação científica colocam em prática o projeto Dignidade Menstrual Sustentável, com a produção de absorventes femininos á base de fibras da cana-de-açúcar com matéria-prima da agricultura local.

O projeto, contemplado pelo Edital Nº2/2022/ Fapitec/Seduc, foi idealizado pelos professores Darcylaine Vieira Martins, Rosana Santos Cardoso e José Edson Roberto de Souza.

A professora de química Darcylaine Vieira conta que a turma de iniciação científica existe desde 2016 e sempre são desenvolvidos projetos  respeitando a realidade dos alunos para atender a alguma problemática da comunidade que os estudantes tentam resolver.

Ela lembra ainda que para participar dos projetos, é realizada a seleção dos alunos com uma entrevista inicial para definir uma temática a ser desenvolvida durante o ano letivo.

“No inicio deste ano, a professora Rosana Santos Cardoso, de redação, levou o tema sobre pobreza menstrual e por coincidencia a turma de iniciação científica era composta apenas por meninas que sugeriram a criação de um projeto com esta temática. Pesquisamos junto as turmas do 9º ano do ensino médio para sabermos se o assunto escolhido era um problema em comum na escola e a partir dos resultados começamos a ver as possibilidades de resolver este problema”, relata Darcylaine.

Resultado

A pesquisa revelou que grande das estudantes entrevistadas passava mais de quatro horas com o mesmo absorvente por questões econômicas, quando o recomendado pelos gnecologistas e dermatologistas é que a troca do produto seja de quatro em quatro horas. “Outro dado alarmente é que alunas relataram que passavam até 8 horas com o mesmo absorvente e que sempre no primeiro dia da menstrução não tinham acesso ao produto o que fazia com que muitas vezes deixassem de ir para a escola ou para outro evento. Este fato sinalizou par a existência do pobreza menstrual”, destaca Darcylaine Vieira.         

Para a estudante e uma das bolsistas do projeto, Jamilly Alves dos Santos, partcipar da iniciativa é importante para o processo de aprendizagem. “Através desse projeto mostramos as pessoas o quanto a ciência é importante para a sociedade e quão é importante projetos de iniciação científica para jovens. Além disso, o projeto é importante paramostrar o quanto é importante sabermos sobre o nosso próprio corpo, pois muitas meninas tinham vergonha da sua própria menstruação, algo que é natural e não deveria ser tratado como um tabu”, enfatiza.

Pobreza Menstrual

 A professora de redação, Rosana Santos Cardoso, enfatiza que o tema da pobreza menstrual vem ganhando atualmente visibilidade pelo fato de que é algo que muitas meninas enfrentam, mas que não aparecia nas discussões. “Não se falavra sobre esta necessidade. Então considerei relevante levar esta discussão para a sala de aula, considerando ser uma escola pública, e o fato de ser uma temática social importante para discutirmos, debatermos e identificarmos as situações de meninas que possam ter faltado à escola por conta do ciclo menstrual”, explica.       

Ela também chama a atenção que a menstruação é um fenômeno fisiológico cíclico do corpo feminino e acontece durante toda a idade reprodutiva da mulher. Mesmo sendo algo natural, a menstruação ainda é um fenômeno biológico estigmatizado e mistificado, causando embaraços na discussão do tema.

Outra questão ressaltada pela professora é o fato de mesmo assim, mulheres e meninas precisam ter informações e acesso à escolha de materiais menstruais que sejam seguros, confortáveis e ecológicos. Assim, o objetivo desse projeto foi a produção sustentável de absorventes femininos com matéria-prima disponível na agricultura do município, utilizando a fibra da cana-de-açúcar e a propriedade impermeabilizante da goma do polvilho da mandioca, e sendo acessível para comunidade escolar.

Metodologia

Para a confecção do absorvente sustentável, foram listadas diferentes fibras vegetais disponíveis no município para identificar a ideal para o produto. Após pesquisas, a fibra da cana-de-açúcar foi a escolhida para a parte interna do absorvente, pois possui eficaz potencial de absorção, além de ter grande disponibilidade e ser de fácil acesso no município que possui um canavial ao lado do Alambique Santa Vitória, localizado na estrada do Povoado Vitória, em Umbaúba.

A parte da cana utilizada é a fibra do bagaço, resíduo do alambique, como resultado da moagem para retirada do caldo. Foram feitos testes com o bagaço triturado no multiprocessador até atingir tamanho variando de 1 a 3 cm de comprimento, e com as fibras inteiras cortadas no tamanho de 14 a 16 cm.

Em seguida, o bagaço foi lavado em água corrente, retirada a casca da cana manualmente, fervido a 100°C com água filtrada para retirada de resíduo da sacarose, o pH constante e igual a 6 verificado antes e depois da água ferver, e seco em uma estufa por 24 horas a 60°C.

Em seguida, foram realizados testes com substâncias impermeabilizantes para substituir a camada plástica de polietileno que evita o vazamento nos absorventes comercializados. Como culturalmente no município se utiliza uma espécie de goma (tipo de mingau não comestível) para armar e impermeabilizar as vestimentas das quadrilhas juninas, foi produzida a mesma goma para substituir o plástico. A goma é feita com meio litro de água, 100 g de polvilho de tapioca, leva ao fogo até se transformar em um mingau transparente. Tira do fogo, espera ficar a temperatura ambiente e adiciona-se 50 mL de vinagre transparente. Com o auxílio de um pincel, a goma foi colocada uma camada espessa da goma sobre o tecido para impermeabilizar e evitar o vazamento, colocado para secar por 24 horas.

Passo a passo do processo

Foram produzidos dois tipos de absorventes para os testes – com as fibras do bagaço da cana desfiadas e inteiras para a camada absorvente. A montagem dos absorventes seguiu a seguinte sequência de testes:

  1. Teste de Capacidade de absorção de água (Inchaço) As amostras foram pesadas e imersas em água onde permaneceram por 1 min. Em seguida, foram colocadas sobre papel filtro, para retirada do excesso de água, pesadas novamente e calculado o volume pela diferença de peso. Um ciclo menstrual tem em média 28 dias, e começa com a menstruação, que dura de 3 a 8 dias. A perda sanguínea por ciclo é de, em geral, 30 a 80 mL (VARELLA, 2022). Sendo o fluxo menstrual, aproximadamente, de 10 mL/dia, as duas amostras têm absorção satisfatória para a produção de absorventes femininos.

  1.  Teste de Impermeabilidade – O teste de impermeabilidade do absorvente foi realizado gotejando 20 mL de água que é um volume maior que o fluxo menstrual normal, não havendo vazamento pela parte inferior do absorvente, que é a parte impermeabilizada com a goma de tapioca.
  • Teste de Biodegradabilidade – As amostras de absorventes foram enterradas no solo por 30 dias e expostos aos microrganismos presentes nele. A cada 2 dias, foram adicionados 20 mL de água para manter a umidade. Os resultados de biodegradabilidade foram promissores, com média de 48% de massa restante do material inicial, principalmente quando comparado aos plásticos convencionais usados em absorventes higiênicos comercializados, que levam de 100 a 500 anos para se decompor.

Através deste processo, foi possível obter, por meio de fibras vegetais da região, material absorvente em substituição ao algodão convencional. Também, utilizando o polvilho de mandioca, produzido nas casas de farinha do município, foi obtida a goma impermeabilizante em substituição à camada plástica. O invólucro que envolve as duas camadas mencionadas acima foi feito de tecido de bambu usado para melhor aceitação das usuárias, ficando semelhante aos absorventes comercializados.

Fazenda vertical sustentável inova em cultivos urbanos em Aracaju

Projeto Cultive-se é uma das ações de biotecnologia e genética apoiadas pela FAPITEC e Programa Centelha II

Texto:  Kátia Azevedo

Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022/ Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)

Fotos/ Divulgação/ Projeto Cultive-se

O plantio de hortas urbanas como experiência de sustentabilidade na produção de alimentos frescos e saudáveis é uma prática crescente no Brasil. Em Aracaju, o projeto “Cultive-se: Fazenda Vertical” coloca em prática este tipo de inovação. O projeto é uma das ações inovadores desenvolvidas na área de biotecnologia e genética apoiados pelo Editalnº 11/2021 da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE) e do Programa Centelha II.

Fotos/ Divulgação/ Projeto Cultive-se

A fazenda vertical sustentável é um sistema de cultivo hidropônico que maximiza o uso do espaço, economiza água, elimina o uso de agrotóxicos e permite o cultivo o ano inteiro, como explica o fundador e coordenador doprojeto, oengenheiro agrônomoFelipe Hermínio Oliveira Souza. “Somos uma resposta à demanda por alimentos frescos e saudáveis nas cidades”, pontua.

De acordo com o coordenador do projeto, o principal desafio do “Cultive-se” está em aprimorar o cultivo de microverdes e validar a sua viabilidade como produto no mercado da alta gastronomia e de alimentos saudáveis no município de Aracaju. “Os microverdes são hortaliças colhidas em seu estágio de maior valor nutricional e sensorial, com cerca de 7 a 14 dias de desenvolvimento e chegam a possuir até 40vezes mais nutrientes do que plantas convencionais”, explica.

Políticas Públicas

O principal resultado do empreendimento tem sido o crescimento expressivo da comercialização pioneira para o mercado B2B [abreviação para “Business to Business”, que significa “Empresa para Empresa”, que na prática é o comércio estabelecido entre empresas]. “Já estamos compondo receitas gastronômicas e pratos para diversos restaurantes em Aracaju”, conta.

“Além disso, estamos cultivando e desenvolvendo metodologias inovadoras para a produção de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), em especial, flores comestíveis”, completa Felipe Hermínio Oliveira Souza.

Suprir insegurança alimentar

Outro aspecto importante do projeto é o foco em políticas públicas que atendam à demanda alimentar apontada pelo levantamento do Observatório de Segurança Alimentar e Nutricional de Sergipe (Osanes) da Universidade Federal de Sergipe (UFS), que revelou a necessidade de políticas públicas que possam auxiliar a qualidade e acesso aos alimentos.

Ainda de acordo com Felipe, o “Cultive-se” tem obtido êxito em produzir alimentos com eficiência em ambiente urbano, de forma compacta e modular. Sendo assim, capaz de implementar fazendas verticais em áreas de insegurança alimentar e desertos nutricionais.

“O Cultive-se possui a capacidade técnico-científica de auxiliar na implementação de políticas públicas que forneçam, através dos supernutritivos microverdes, o aporte nutricional necessário aos indivíduos carentes ou que possuam necessidades alimentares sensíveis e específicas, em locais como escolas, asilos e hospitais”, aponta o coordenador.

Educação ambiental

Ele ressalta ainda que o projeto é um bom exemplo do objetivo do conhecimento na universidade ser voltado para atender a demandas sociais, o que envolve, entre outros fatores, a interação socioambiental entre a população e a natureza. Um dos aspectos relevantes, segundo ele, é a ação de educação ambiental que envolve a interação das crianças com os alimentos.

Felipe chama a atenção para o fato de que os microverdes podem e devem ser aliados na introdução alimentar de crianças, fomentando uma futura geração que buscará ativamente por uma alimentação mais saudável.

Sementes de microverdes de Rabanete. Cultive-se. 2023

Ciência, inovação e tecnologia

Outra questão é a interação com a universidade. Segundo o coordenador do projeto, o “Cultive-se” tem promovido uma importante interação com a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Sergipe, através da oferta de estágio remunerado para estudantes dos cursos de Agronomia e Administração.

Fazenda vertical

A partir da parceria com espaços que promovem e apoiam iniciativas científicas, a exemplo da UFS e Fapitec, o projeto promove apesquisa científica na área de adubação para o cultivo de microverdes, sendo base para Trabalho de Conclusão de Curso – TCC em Engenharia Agronômica.

O diretor-presidente da Fapitec/SE, Alex Garcez, ressalta que “a iniciativa é importante para promover a sustentabilidade, a geração de renda e o acesso a uma alimentação saudável e livre de agrotóxicos. Iniciativas como esta já estão acontecendo em grandes cidades e nada melhor do que ter esta startup pioneira na área em nosso estado”, destaca.

Esta é a primeira pesquisa do estado na área, destaca o coordenador do projeto, com objetivo de gerar conhecimento sobre as melhores e mais eficientes práticas de cultivo em fazendas verticais. “Nossa projeção de futuro é que o projeto Cultive-se continue a crescer e se fortalecer, desempenhando um papel essencial no desenvolvimento econômico, social e ambiental da região. Estamos comprometidos em construir um futuro mais saudável e sustentável, onde o conhecimento científico e tecnológico se traduza em benefícios tangíveis para a sociedade”, finaliza o engenheiro agrônomo Felipe Hermínio Oliveira Souza.

Projeto apoiado pela Fapitec discute educação antirracista em escolas públicas

Ação promove debate sobre obras da filósofa Djamila Ribeiro com estudantes da 1ª série do ensino médio

Texto:  Kátia Azevedo

Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022/ Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)

As estudantes e bolsistas Ana e Clésia

Uma pesquisa em Sergipe está levando para escolas públicas o debate sobre os desafios da população negra e a crença sobre democracia racial. O projeto “Com Ciência Negra: Um debate sobre as obras de Djamila Ribeiro” é desenvolvido por bolsistas com fomento do Governo do Estado, através de edital da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do estado de Sergipe (Fapitec/SE) em parceria com a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (Seduc).

O projeto é desenvolvido com alunos do Colégio Estadual Prof. José Franklin (CEPJF), na Barra dos Coqueiros, e no Centro de Excelência Deputado Jonas Amaral, em Nossa Senhora do Socorro. “A proposta é discutir a história da escravidão africana e da resistência negra, ampliando a visão de mundo dos estudantes e fomentando debates sobre a importância da educação antirracista, inspirados nas obras da filósofa brasileira Djamila Ribeiro”, explica a coordenadora do projeto, Adinagruber da Conceição Lima.

Autoidentificação étnica

Entre as ações, é realizada uma pesquisa sobre o perfil socioeconômico e étnico-racial dos alunos, entre estudantes da primeira série do ensino médio dos dois colégios. Um dos resultados da pesquisa diz respeito à autoidentificação étnica dos alunos.

Os dados mostram uma heterogeneidade na composição étnica dos estudantes: 50% se identificaram como pardos; 29,2% como negros; e 20,8%como brancos. “Essa diversidade é fundamental para promover um ambiente escolar inclusivo que valorize as experiências e perspectivas de todos os alunos”, aponta Adinagruber.

Leitura das obras

Outra atividade foi a leitura dos livros escritos pela filósofa Djamila Ribeiro: “Quem tem medo do feminismo negro”; “Lugar de Fala”; “Pequeno Manual Antirracista”; e “Cartas para Minha Avó”. O objetivo das leituras é estimular o debate e a reflexão sobre racismo, preconceito e discriminação no Brasil, e a elaboração de material para apresentação da autora à comunidade.

Um dado relevante é que, embora tenham acesso a livros na biblioteca da escola, os alunos não costumam fazer empréstimos de livros. Sobre Djamila Ribeiro, 100% dos estudantes afirmam nunca terem ouvido falar da autora ou terem lido seus livros. Também foi verificado que as bibliotecas das duas escolas ainda não contam com exemplares dos livros de Djamila Ribeiro.

“Durante a pesquisa, ficamos sabendo que as bibliotecas escolares não tem livros de Djamila Ribeiro, apesar da sua grande importância para se discutir uma cultura antirracista”, destacou a estudante e bolsista Ana Luiza Gama Silva. “Por essa razão sugerimos a aquisição de duas obras para compor o acervo das bibliotecas”, completa a estudante Clesia Andrade, também bolsista do projeto.

Glossário e referências

Ao longo das leituras e do processo de pesquisa, o cenário motivou ainda a criação de um pequeno “Glossário de Termos e Conceitos Essenciais na Discussão sobre Racismo e Diversidade”, que pode ser utilizado nas escolas como proposta para iniciar as discussões sobre antirracismo.

Também é realizado um intercâmbio cultural com a equipe do projeto, com encontros presenciais e no formato online, com apresentação de referências sobre o estudo e das discussões sobre o assunto.

Startup cria soluções de realidade virtual para saúde e educação

Iniciativa é contemplada pelo Programa Centelha-SE II  em parceria com a FAPITEC/SE

Texto: Kátia Azevedo/Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022/ Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)     

Fotos: Arquivo pessoal

Tâmara Nunes

Formar profissionais da saúde com alto desempenho e excelência através do desenvolvimento de uma estação inteligente multissensorial de metaverso e democratizar a educação da realidade virtual. Estes são alguns dos objetivos da proposta do Projeto ADA 4 ALL, contemplado pelo Edital PROGRAMA CENTELHA II/FAPITEC/ Nº11/2021.

A realidade virtual

A ação é desenvolvida pela Ada Metavers, uma startup de neuroengenharia fundada em 2021 pelas biomédicas Tâmara Nunes e Tássia Nunes, duas mulheres negras, nordestinas, cientistas e apaixonadas por empreendedorismo.Elas ressaltam que o projeto Ada 4 All é um empreendimento inovador que visa tornar a tecnologia de realidade virtual acessível a todos, priorizando a educação, a criatividade e a democratização do conhecimento.

“Criamos a startup com o propósito de incentivar empreendimentos no campo da ciência e educação que quebrem paradigmas no mundo acadêmico e permitam com que tecnologias desenvolvidas na pós-graduação cheguem ao mercado. Elas destacam que a Ada é única startup no Brasil a integrar neuroengenharia e metaverso e pioneira no Brasil a levar sensações para o metaverso. O Ada 4 All oferece um conjunto de soluções educacionais imersivas que visa democratizar a tecnologia de Realidade Virtual para que seja uma ferramenta de transformação digital que visa auxiliar o processo educativo de jovens e crianças. Através de soluções de software e hardware, o projeto se propõe de forma inovadora fornecer ao usuário a liberdade de explorar sua criatividade enquanto aprende”, explicam Tâmara e Tássia.

Elas ressaltam que o projeto Ada 4 All é um empreendimento inovador que visa tornar a tecnologia de realidade virtual acessível a todos, priorizando a educação, a criatividade e a democratização do conhecimento.

“Com uma abordagem centrada no usuário e na inclusão, o projeto está moldando o futuro da aprendizagem através do desenvolvimento de uma plataforma revolucionária chamada Ada Creator, acompanhada por um conjunto de laboratórios virtuais no Ada Launcher e suportada pelo hardware de baixo custo Ada Kit. Esta é uma jornada emocionante que coloca a tecnologia ao alcance de todos, permitindo que professores, estudantes e entusiastas explorem, aprendam e criem em um ambiente de metaverso imersivo”, explicam.

Ainda conforme as biomédicas, o projeto também utiliza a plataforma de laboratórios virtuais, a Ada Creator, que busca criar um ambiente digital imersivo no code onde os usuários poderão criar uma variedade de experiências educacionais e de treinamento.

“Através dessa plataforma, estudantes, profissionais e entusiastas terão a oportunidade de desenvolver diferentes cenários, simulações e experimentos em um espaço virtual interativo sem a necessidade de programar. Isso pode abranger áreas como educação, treinamento profissional, simulações industriais e até mesmo entretenimento educativo”, salienta Tâmara.

“A iniciativa também inclui óculos VR de baixo custo, como os Cardboard, dispositivos acessíveis que permitem que uma ampla gama de indivíduos experimentem a imersão da Realidade Virtual sem a necessidade de investimentos significativos em hardware caro. Essa abordagem democratiza o acesso à tecnologia de RV e permite que pessoas de diversos perfis socioeconômicos possam se beneficiar das oportunidades oferecidas pela plataforma de laboratórios virtuais”, informa Tássia.

Ela enfatiza que a proposta da Ada Metaverse inserida ao Programa Centelha II Sergipe representa um passo audacioso em direção à democratização da Realidade Virtual, utilizando uma combinação de laboratórios virtuais e óculos VR de baixo custo para proporcionar experiências educacionais e de treinamento envolventes e acessíveis a todos. Além de impulsionar a inovação tecnológica na região, essa iniciativa tem o potencial de transformar a maneira como as pessoas aprendem e interagem com o mundo digital.

Interação

“Essa tecnologia está moldando o futuro da educação, proporcionando aos alunos uma experiência de aprendizado verdadeiramente envolvente. Ao despertar a curiosidade e o entusiasmo, a realidade virtual não apenas aprimora o processo de educação, mas também prepara os alunos para um mundo onde a criatividade e a inovação são essenciais. Estamos testemunhando a transformação do aprendizado, e a realidade virtual está liderando o caminho. Dessa forma, a missão da Ada Metaverse é auxiliar no processo educacional através da democratização da tecnologia de realidade virtual, tornando-a acessível a todo”, completam.

Elas destacam que o Projeto ADA 4 ALL tem rendido bons resultados, tornando-se case de estudos do programa de pós-graduação em empreendedorismo da Universidade de Oklahoma e alavancando a startup para abertura de capital em rodada de investimento pre-seed. Atualmente, a Ada tem negociado com investidores e potenciais clientes para implementação do primeiro piloto do xMed no Grupo Tiradentes (nordeste) e no Grupo Inspirar (Sul).

Parceria

“A parceria com o Programa Centelha-SE permitiu a startup alavancar recursos e expandir a inovação em educação. Além disso, a Ada Metaverse foi aceita no prestigioso Google for Startups Cloud Program. Essa parceria nos dará a oportunidade de aprimorar ainda mais nossos serviços e inovações tecnológicas. Recebemos também, a honra de ser reconhecidos no Prêmio Mulheres Inovadoras 2023, que destaca a liderança feminina em empreendedorismo e inovação. Esse reconhecimento impulsiona nosso compromisso com a equidade de gênero e a inovação”, comemora Tâmara Nunes.

O Ada Metaverse também se destacou no Programa Conecta Startups, fortalecendo uma rede de colaboração e abrindo portas para futuras oportunidades de crescimento. De acordo com elas, o maior diferencial competitivo da startup está na propriedade intelectual da equipe científica, que conta com cientistas da neuroengenharia e neurociência para ir além dos ambientes imersivos e levar sensações ao metaverso.

Ela explica que a Ada utiliza como base científica o estado da arte da ciência que é a neuroengenharia para criar soluções focadas no metaverso. “Nossa missão é tornar o metaverso uma realidade e impactar a sociedade através do desenvolvimento de tecnologias de interfaces e interações humano-metaverso.  “Em apenas 1 ano e 7 meses de existência, a Ada alcança resultados próprios de uma startup com potencial de escalabilidade exponencial. Sua operação iniciou em janeiro de 2022, com o nome xCode, entretanto, com o objetivo de representar as mulheres na ciência e tecnologia, a startup mudou sua identidade para Ada Metaverse, em homenagem a Ada Lovelace, primeira mulher no mundo a desenvolver um algoritmo de computador”, conta Tássia Nunes.

De acordo com as biomédicas no primeiro mês de operação a startup foi aprovada para incubação no Tiradentes Innovation Center, principal centro de inovação em educação do nordeste. Realizou sua primeira captação de investimento por meio de investimento anjo e após 4 meses de operação foi aprovada no programa RHAE fomentado pelo MCTI e CNPq com o projeto xMed.

Elas enfatizam que o projeto Ada 4 All não é apenas uma jornada tecnológica, mas um movimento para ampliar os horizontes da educação e da aprendizagem. “Ao unir o poder da realidade virtual, metaverso e educação inclusiva, Ada 4 All está desenhando um futuro no qual a tecnologia não é apenas uma ferramenta, mas uma força motriz para a igualdade de acesso ao conhecimento. Este projeto é uma celebração da criatividade, da colaboração e do desejo de capacitar cada indivíduo a explorar novos mundos e descobrir novas possibilidades dentro do metaverso”, reforçam.

Governo de Sergipe fomenta pesquisas sobre bacias hidrográficas do estado

Iniciativa é apoiada através de edital em parceria entre Fapitec, Semac e Sedetec

Texto e fotos:  Kátia Azevedo

Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022/ Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)

Em conjunto com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac), a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE), também vinculada à Sedetec, contribui para ações estruturantes na área de recursos hídricos.

As ações são realizadas através da concessão de Bolsas de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI) por meio do EDITAL FAPITEC/SE/SEMAC/SEDETEC Nº 07/2022, com apoio a 04 projetos que desenvolvem pesquisas sobre as bacias hidrográficas, a qualidade e quantidade da água, consumo, segurança hídrica e monitoramento. 

Os projetos contemplados com o edital são: O Uso de Geotecnologias na Consolidação do Sistema de Informações e Aprimoramento do Atlas Digital Sobre Recursos Hídricos de Sergipe; Análise da Severidade das Secas para Sergipe; Desenvolvimento de uma Proposta de Outorga Para Captação e Lançamento de Efluentes em Função Da Sazonalidade e Demandas Consuntivas Locais.

“Através de editais para a execução técnica e científica de ações de gerenciamento de recursos hídricos, a Fapitec contribui com o seu papel de fomentar a ciência, a pesquisa, inovação e tecnologia em Sergipe,  visando a execução de serviços socioambientais necessários como a oferta de  bolsas para profissionais de diferentes áreas de formação, custeados com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FUNERH e do incentivo financeiro do PROGESTÃO”, enfatiza Paulo César Alves, coordenador do Programa de Inovação Tecnológica (PROINT).

A engenheira civil e técnica da Diretoria de Recursos Hídricos da Semac, Ana Paula Ávila, destaca que através de estudos e pesquisas Sergipe está desenvolvendo ações hídricas estruturantes que se consolidam como políticas públicas para o atendimento das demandas da água voltadas para a população.

Conforme a engenharia civil, a parceria com entre a Semac e a Fapitec a se deu em dois momentos. No primeiro, com o termo de cooperação técnica com o lançamento de um edital de contratação de três bolsistas, e agora, no segundo momento, com quatro profissionais que dão suporte às ações de fortalecimento e melhoria dos instrumentos de gestão hídrica dos reservatórios e múltiplos usos da água.

“Estes profissionais atuam em atividades científicas que incluem o suporte na incorporação de novas tecnologias, informações de monitoramento hídrico, qualidade e quantidade da água, situação dos reservatórios, alimentação e atualização do sistema de dados que abarca muitas informações a exemplo do Atlas Digital, que engloba uma diversidade de informações”, lista Ana Paula.

Ela lembra ainda a relevância do trabalho dos bolsistas para o conhecimento do cenário atual e  projetação dos cenários socioambientais futuros, o que inclui  o planejamento de ações para atingir as metas estabelecidas para  a efetividade de políticas públicas na área hídrica. “Neste caso, a parceria com a Fapitec tem sido uma experiência maravilhosa. Tanto é assim que nós queremos ampliar para um terceiro momento com a abertura de novos editais de contratação de mais bolsistas de projetos que agregam e suprem a lacuna para efetivação de serviços públicos mais especializados ligados à pesquisa, à inovação, e desenvolvimento tecnológico. Contar com este trabalho dos técnicos da Fapitec para a execução do trabalho realizado pela Semac é muito importante. É uma experiência exitosa e que precisa de continuidade”, diz.     

 Pesquisa atualiza dados sobre recursos hídricos em SE

Estudo usa geotecnologias para consolidar e aprimorar temas em recursos hídricos 

Texto e imagem: Kátia Azevedo/Bolsista DTI-3/FAPITEC/SE/FUNTEC/Edital Nº1/2022/ Projeto Boletim Fapitec Ciência/ Programa de Comunicação Científica e Tecnológica (PROCIT)

Márcia Rodrigues, coordenadora do projeto
Márcia Rodrigues, coordenadora do projeto

Uma das prerrogativas da Política Estadual de Recursos Hídricos é elaborar e manter atualizado um sistema de dados científicos, com estimativas sobre a gestão das águas no Estado para os próximos anos. Em diálogo com esta demanda surge o Projeto “Uso de geotecnologias na consolidação do sistema de informações e aprimoramento do Atlas Digital sobre recursos hídricos de Sergipe”.

Contemplado com o Edital FAPITEC/SE/SEMAC/SEDETEC Nº 07/2022, o projeto fornecerá uma consolidação do Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos de Sergipe (SIRHSE),com estudo nas Bacias Hidrográficas e, por conseguinte, nas Unidades de Planejamento (UPs).

A engenheira florestal, Márcia Rodrigues, bolsista de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac), explica que os resultados irão contribuir para subsidiar políticas públicas focadas nas necessidades dos recursos hídricos nos diversos segmentos do território sergipano.

As informações coletadas e sistematizadas serão utilizadas na gestão de recursos hídricos, como: outorga de água, ações de fiscalização e segurança de barragens. O projeto também usa ferramentas do Sistema de Informações Geográficas (SIG) para extrair dados que serão utilizados no projeto.

Pesquisa estuda bacias hidrográficas

“A proposta do projeto é consolidar e aprimorar o Atlas Digital sobre Recursos Hídricos de Sergipe, com uso de dados de imagens de satélite, plataforma Google Earth Engine, e eSIG. Este aprimoramento visa à melhoria da base de dados, possibilitando o uso eficiente destes para a solução de problemas inerentes aos recursos hídricos do Estado”, detalha Márcia Rodrigues.

A pesquisadora também chama a atenção para o uso das geotecnologias e aumento da capacidade computacional, tornando possível mapear e quantificar as informações sobre recursos hídricos de forma rápida e eficiente. “Neste sentido, a consolidação e aprimoramento do Atlas Digital possibilitarão condições necessárias na tomada de decisões na gestão de recursos hídricos, buscando-se sempre a adesão às novas tecnologias para obter dados e informações dos recursos hídricos em quantidade e qualidade”, observa.

Ela destaca que por meio do geoprocessamento é realizado o levantamento detalhado de informações geográficas relacionadas aos recursos hídricos, incluindo dados como curvas de nível; declividade; hidrografia; limites das bacias; codificação em ottobacias; mapeamento e atualização dos reservatórios (barragens); mapeamento do uso e cobertura da terra (plataforma Google Earth Engine – GEE); e mapeamento do potencial da fragilidade das bacias hidrográficas, identificando as fragilidades potenciais e emergentes, fornecendo um diagnóstico atualizado para o cenário da gestão dos recursos hídricos com base nos novos limites geográficos.

Dados

“Os resultados obtidos com o estudo serão disponibilizados para compor o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos para aprimoramento do Atlas Digital, um serviço público essencial para entendermos o uso coletivo da água. A sistematização de dados é aplicada à gestão de recursos sobre a outorga de água, ações de fiscalização e segurança de barragens, além do uso nas defesas civis estadual e municipal, Corpo de Bombeiros, DESO, escolas, universidades e outros órgãos da administração pública”, reforça.

Paulo César Alves, coordenador do Programa de Inovação Tecnológica (PROINT), fala da importância da Fapitec/SE apoiar pesquisas para gestão e preservação das águas, com impacto relevante para a vida da população. “A água é um dos nossos bens naturais mais preciosos e precisamos de pesquisas como esta que contribui para um sistema de informações atualizado e consolidado inserindo a agenda hídrica nas políticas públicas. Por isso nos somamos em parceria com outros órgãos estaduais para viabilizar este estudo”, destaca.

Parceiros

Última atualização: 23 de outubro de 2023 10:07.

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